Peabiru Intensifica Setembro Amarelo: Um Chamado Abrangente à Consciência e Cuidado com a Saúde Mental
Por Arthur Cunha Paula
Diretor de Comunicação Institucional
PEABIRU, PR – 10 de setembro de 2025 – Neste Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, a Câmara Municipal de Peabiru, em uma ação conjunta com a Prefeitura Municipal, reforça seu compromisso com a vida ao intensificar a campanha Setembro Amarelo. Inspirada nas robustas iniciativas da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Centro de Valorização da Vida (CVV), a campanha local busca romper estigmas e promover a saúde mental com a mensagem central: "Você não está sozinho" e "Se precisar, peça ajuda!".
A História e o Impacto Global do Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo teve sua origem em 1994, nos Estados Unidos, após a trágica morte do jovem Mike Emme, de 17 anos. Em seu funeral, cartões com laços amarelos, cor do Mustang que Mike havia restaurado e mensagens de apoio foram distribuídos, dando início a um movimento de sensibilização. A campanha chegou ao Brasil em 2013, trazida pelo Dr. Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP, e foi oficialmente abraçada pelo CFM a partir de 2014, tornando-se, atualmente, a maior campanha antiestigma do mundo.
A prevenção do suicídio é uma questão de saúde pública global e urgente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) registra mais de 700 mil suicídios por ano no mundo, o que significa uma morte a cada 40 segundos, e estima que o número real possa ultrapassar 1 milhão. No Brasil, os números são alarmantes, com cerca de 14 a 16 mil casos por ano, uma média de 38 a 44 mortes por dia, posicionando o país como o oitavo em números absolutos. Cada suicídio tem um sério impacto na vida de pelo menos outras seis pessoas, gerando um luto complexo e com maior risco de depressão e internações psiquiátricas para os afetados.
Um dado crucial é que quase 100% dos casos de suicídio (96,8% a 100%) estão associados a transtornos mentais, muitas vezes não diagnosticados ou tratados inadequadamente. Isso reforça a ideia de que a grande maioria dos suicídios poderia ser evitada com tratamento psiquiátrico e informações de qualidade acessíveis.
A Vulnerabilidade dos Jovens e Outros Grupos
As taxas de suicídio têm crescido notavelmente entre os jovens. No Brasil, entre 2016 e 2021, houve um aumento de 49,3% na mortalidade por suicídio entre adolescentes de 15 a 19 anos, atingindo 6,6 por 100 mil, e de 45% entre 10 a 14 anos. O suicídio é a quarta causa de morte para a faixa etária de 15 a 29 anos. Fatores como transtornos alimentares, transtorno bipolar, estresse pós-traumático, violência em relacionamentos e depressão são mais frequentes em jovens do sexo feminino, enquanto transtornos de comportamento, desesperança, separação parental e acesso a meios letais são mais comuns no sexo masculino. No entanto, homens idosos também formam um grupo de alto risco, especialmente os que vivem sozinhos, têm problemas financeiros e transtornos mentais.
Comunicação Responsável: Evitar o "Efeito Werther" e Promover o "Efeito Papageno"
A forma como se aborda o tema do suicídio é fundamental. A campanha de Peabiru, alinhada às diretrizes da ABP e do CFM, enfatiza a necessidade de uma comunicação cuidadosa. O "Efeito Werther" alerta para o risco de contágio ou imitação de suicídio, que pode ser provocado por reportagens sensacionalistas, posts equivocados ou detalhes explícitos de métodos. Por outro lado, o "Efeito Papageno" sugere que uma cobertura responsável e esperançosa pode ter um efeito protetor, oferecendo alternativas e caminhos para a busca de ajuda.
Para uma comunicação eficaz e segura, é crucial:
- Evitar: Reproduzir notícias sensacionalistas, mostrar imagens ou detalhes de métodos, espalhar desinformação, romantizar o sofrimento ou sugerir tratamentos sem embasamento.
- Preferir: Compartilhar mensagens de apoio, divulgar histórias de superação (com respeito), indicar caminhos de ajuda profissional (tratamento médico, CAPS, SAMU-192, CVV-188), fomentar a empatia e usar linguagem acolhedora, como "pessoa com depressão" em vez de "depressivo".
É importante ressaltar que falar sobre suicídio não aumenta o risco; pelo contrário, pode aliviar a angústia e a tensão, sendo um passo essencial para a prevenção.
Fatores de Risco e Proteção: Como Identificar e Agir
Compreender os fatores que aumentam ou diminuem o risco de suicídio é vital. Os dois principais fatores de risco são tentativa prévia de suicídio e a presença de doença mental.
Outros fatores de risco incluem:
- Sentimentos de desesperança, desespero, desamparo e impulsividade.
- Idade (jovens entre 15 e 30 anos e idosos acima de 65 anos).
- Gênero masculino (três vezes maior taxa de óbitos por suicídio em comparação com mulheres).
- Doenças clínicas não psiquiátricas incapacitantes ou dolorosas (câncer, HIV, neurológicas, cardiovasculares, etc.).
- Eventos adversos na infância/adolescência (maus-tratos, abuso físico/sexual, pais divorciados).
- História familiar de suicídio ou tentativa.
- Fatores sociais (desemprego, problemas financeiros, isolamento social, viver sozinho).
Por outro lado, existem fatores protetores que podem fortalecer o indivíduo:
- Autoestima elevada, bom suporte familiar e laços sociais bem estabelecidos.
- Religiosidade, senso de responsabilidade com a família, ter filhos.
- Capacidade de adaptação positiva, de resolução de problemas e uma relação terapêutica positiva.
- Estar empregado e ausência de doença mental.
É importante notar a ambivalência (desejo de viver e morrer), impulsividade (ato motivado por eventos negativos passageiros) e rigidez (incapacidade de perceber outras saídas) que caracterizam o estado mental de pessoas em risco.
Ações Locais e Ferramentas de Apoio em Peabiru
A campanha em Peabiru se dedica a fornecer acesso facilitado a informações de qualidade. Materiais de divulgação, cartilhas e orientações estão disponíveis no site da Câmara, acessíveis através do linktree oficial (linktr.ee/CamaraPeabiru) ou pelo link (clique aqui).
Para quem precisa de ajuda imediata, os recursos incluem:
- Centro de Valorização da Vida (CVV): Oferece serviço de escuta voluntária, anônima e gratuita, 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo telefone 188. Também disponível por chat e e-mail.
- SAMU (192): Em casos de emergência médica relacionada ao risco de suicídio.
A ABP também desenvolve cartilhas com informações importantes sobre doenças mentais e suicídio, como falar com crianças e adolescentes sobre saúde mental, e como abordar o tema de forma responsável nas redes sociais.
Um Compromisso Contínuo com a Vida
A prevenção do suicídio é um trabalho que transcende o mês de setembro. É um compromisso contínuo que exige a atuação de toda a sociedade, incluindo profissionais de saúde, familiares, amigos, educadores e a mídia. Ao nos informarmos, conversarmos abertamente, oferecermos uma escuta ativa, sem julgamentos, e indicarmos os recursos disponíveis, cada um de nós contribui para construir uma rede de apoio que pode salvar vidas.
Como um rio que flui, a vida tem seus momentos de calmaria e de turbulência. O Setembro Amarelo em Peabiru é um farol que ilumina o caminho, mostrando que, mesmo nas correntezas mais fortes, há sempre uma margem segura e remos que podem nos guiar de volta à bonança. Não hesite em buscar ou oferecer ajuda; a vida importa.
Para mais informações, acesse:
- CAMPANHA CVV: setembroamarelo.org.br e cvv.org.br.
- CAMPANHA ABP/CFM: setembroamarelo.com
- Drive da Câmara com as cartilhas e materiais de divulgação